sábado, 23 de fevereiro de 2019

Pequenas Histórias (para gente grande) - Por Nilzanira Reyes


Pequenas Histórias 
(para gente grande) 

Primeira 

Escrever, escrever...
A raiva potencializa e solidifica os sentimentos.
Exacerba a criação.
Dualidade – como amar o que faz sofrer?
Fazer um poema, falar do desejo.
Uma angústia enorme que abraça.

Um poema fala

"Poema de Roberto Juarroz

Existe um tempo do olho
que pára de olhar para trás ou para frente
e se detém em si mesmo.
E existe um tempo do tempo, 
do encontro do tempo com o tempo,
um transcorrer já sem testemunhos, 
uma duração duração.

O ponto é o resumo.
É necessário vigiar o ponto.
Sobretudo este ponto final.
Ou talvez o próximo."

A caminhada de quinta-feira se arrasta entre o tanto que falta e o que já foi percorrido.
Não era definitivamente aquilo que deveria ser tratado naquele tempo.
O impacto do tênis reverbera no solo concreto da verdade.
Andar, correr, cair. Assim, nesse compasso; uma auto compaixão sem testemunho. 
Mas o desejo se mostra maior do que a capacidade de dar um passo de cada vez e o que havia sido um rio transbordou e avançou pela estrada aberta e transformou em nado o que era caminhada. 
Detalhe, não saber nadar é afogar nessa enchente de emoção. 

" É necessário vigiar o ponto.".

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Luhli - por Vitor Ferreira


Lobisomem prisunha, fixa a terra que te sustenta. 

Batida do adufe, que chama o Borí

Sorriso q’embala o sonho harmônico.   

A força do seu pulsar reboam três alturas.

Em espiral de vida, reencontramos em nossa eni.



Lente bifocal do amor,

A comunhão de almas se faz,

Em mergulho indígena,

Caminho de luz e paz.



Lógùn Ede chama seu pai.

Partiu a mais linda estrela,

Com seu carismático sorriso.

O colossal bólido ruivo se agiganta.

Lá vai rodar a baiana, enquanto

Dentro de mim encanta.



                                                                                                                                                                    

                                

                                                                     

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Caa-apoam - por Vitor Ferreira


 N.A. Esse texto foi escrito pelo autor em viagem de volta ao Rio, de Belo Horizonte, após visitar Inhotim, próximo a Brumadinho, anos antes da tragédia; em uma crítica ao processo exploratório do minério de ferro e da demanda imposta pela economia vigente.  


Os portugueses saltaram

As serras paulistas e fluminenses

E assaltaram as serras mineiras.



Os portugueses contornaram

As serras paulistas e fluminenses

E estupraram as serras mineiras.



O relevo mineiro fala, em claro e bom tom,

Das lembranças de Von Martius e Spix,

Pelo cerrado retorcido,

Se encaixando nas vertentes do passado.



Suas grotas, vulvas a mostra,

Seduzindo o explorador sedento

Por ganâncias plúmbeo-rubras, em contraste,

Revelando o paraíso geológico.



Das entranhas de vulcano,

O fogo prometido amalgama o tráfego.

Cápsulas veiculares emergem do fluido incandescente,

Que em fila colidem contra minhas retinas.



É o aço dominador da fria economia,

Que determina o denominador comum

Das ditas duras egocêntricas.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

MORTALHA - por Katia Toledo



                                                            MORTALHA

O corte profundo sangra-me a alma.
Goteja-me lentamente o líquido rubro.
Agoniza nitidamente minha calma.
Meu corpo nu com teu manto cubro.


Forma-se uma crosta espessa e dura
a proteger-me como carapaça.
Imagino eu que, a essa altura
nem mal, nem bem por ela passa.


Tua estupidez trava uma batalha
com teu bem-querer que nunca escutas.
Deita em nosso amor uma mortalha,
fazes tuas verdades absolutas!











terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

TANGO - por Clayton Craveiro


Minhas pernas urgentes
e sem direção
pela calçada de pedras alvinegras
banhadas pelo rubro do meu sangue mental
cambaleiam em fúria morta
dessa maldita esquina torta
em que se meteu meu coração.

O tango que não se dança
O passo que não faço
Meu traço
Minha tragédia
em movimento
Descompassado no passo
No desenho do braço,
a dança.

A dança.   

Tatuagem bordada na pele
Trançada no bíceps
A síntese da minha dor
Meu tango
Meu...






Fragmento do Livro "Erogenia"

Orlando Arte - por Francisco José dos Santos

Orlando Arte

Descortinar novos sonhos
Em artes com novas matérias
Apagando o que ficou tristonho
Não levar a vida tão a sério
Solta a mente, imagina a ação
Flutua o pensamento liberto
Campeia por outra dimensão

Ao amigo Orlando DaSilva, gravurista, pintor e escritor.
Uma mente livre atuante que agora faz arte em novos cantos!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

O sentido da vida - por Clayton Craveiro

N.A.: O texto abaixo foi escrito faz um tempo (um ano, acho), para meu blog. 
Tinham alguns endereços.
Achei que valia a pena republicá-lo
Na real, tudo vale a pena e a asa...


Meu filho, em suas elucubrações (vai procurar no Google que eu espero) filosóficas, afirmou que roubaram o sentido da vida. Não sei se sei. 
Sei lá se tudo ou nada make sense, gente boa! O fato é que vou por aí. Ir por aí faz sentido. Ficar parado não.

Tem uma galera que acha que sentido da vida faz parte de algum tipo de projeção divina. Eu não. Tudo bem, cada um na sua.
Tem outra que correr atrás da grana - é, aquela que ergue é destrói coisas belas (valeu Caetano) é o que interessa. Também tudo bem, boa sorte, se quiser dividir me chama.
Outros ainda,  que noites ou dias com um bocado de sangue correndo no seu álcool faz parte do compartilhamento de alegrias com amigos, paixões (sejam elas quais forem), e que isso é o que faz sentido.

Alguns pensam demais, outros de menos, mas o sentido, creio, é para ser sentido, se é que entendem o  meu sentido, minhas percepções, parágrafos, vírgulas e etecéteras,...

Eu, quando tinha a idade da minha prole, pegava o 433 e ia na orla olhar o mar, descalço, só de short, com o dinheiro da volta e do pão doce da padaria da Ataúfo de Paiva. Depois de jacarés mal pegados, ficava um tempão olhando para as Cagarras (vai procurar no Google que eu espero), projetando um futuro que aconteceu só em parte. Mas e daí? O sol era quente, o vento era bom e as bundas eram lindas. "Ah, tinha que ter a objetização da mulher!". Tinha. Era hormonal - sem culpa !

Hoje um abraço apertado, uma graça por besteiras, um bom sexo, uns dias de sol, outros de chuva, o cheiro da pizza assando, um obrigado, aprender coisas novas, ensinar coisas velhas, ouvir aquela música nova, ou aquela música velha, perfume bom no ar,  café no bule, o riso quando vier, o choro que não se deve evitar, matar saudades de algo ou alguém, um cigarro para quem fuma - mas faz mal, tudo aos poucos ou ao mesmo tempo, recuperam, trazem e fazem todo o sentido.

Então, malandragem, pare de pensar se roubaram ou não o sentido da vida e vai procurar seus instantes de liberdade, de graça, prazer, descompromisso, que a cada dia você vai perceber que as pequenas coisas que você acha triviais podem te dar o sentido que você acha que roubaram por não achá-lo na frente de uma tela. Não adianta procurar no Google.