Levitação
Quem se prende a matéria
não consegue voar.
O sonho é leve
e a emoção flutuante.
É preciso desprendimento
para o infinito alcançar.
Bem vindos ! Este blog destina-se às publicações dos acadêmicos da Academia de Letras Joaquim Osório Duque Estrada em Paty do Alferes - RJ
quinta-feira, 27 de junho de 2019
O Beijo - por Tildé
O Beijo
O beijo é bússola guia
a despertar desejos.
provoca sensações, arrepia!
É gostoso como o vejo!
Deixa o corpo mais leve,
bem quente de emoções!
É uma liga que serve
para unir dois corações.
O beijo é bússola guia
a despertar desejos.
provoca sensações, arrepia!
É gostoso como o vejo!
Deixa o corpo mais leve,
bem quente de emoções!
É uma liga que serve
para unir dois corações.
A Lua e Eu - por Tildé
A Lua e Eu
Manter os sonhos sempre crescentes,
deixando a vida a cada dia mais nova,
com a tristeza saindo bem minguante!
Viver a alegria do amor que se renova.
segunda-feira, 20 de maio de 2019
POESIA DE SMARTPHONE - por Clayton Craveiro
Antes eu trocava a fita
sujava os dedos
no tecido negro e rubro
Furava a seda da Olivetti
Tek-tek-tek
Usava limpa-tipos
Folhas A4, Correto Carbex
Missivas em posta restante
Postais de um lugar distante
Tempos passados querida...
Hoje é tudo num instante
Hoje meu mindinho apoia meu verso
enquanto o polegar vacila
entre o amor
e o horror ao corretor
Faz plim quando ela chama
Infla meu peito
Satisfaz meu ego macho-alfa
"Manda nudes meu bem..."
Aquele jeito, aquela chama
Em tempos modernos
Até o vício solitário é diferente
Tem um giga de velocidade
Não é fake, é maldade
Portanto a paixão de improviso
agora circula em ondas de um 4G
Não mais nas mucosas do ponto G
Sabe lá o que é isso?
No "hifi" eu dançava colado
Sussurrava segredos
Embaraços ao pé do ouvido
Agora ?? Duvido !!!
Muda a letra
Sai "h" entra o "w"
E no "wifi" de hoje
Só a senha é o desejo
Pode crer! Mais que um beijo!
Pois que venham !!
Noites insones em zaps da vida
Paracetamóis virtuais
Boleros em pacotes de dados
Substituição da solidão
Por mais solidão
A vida no modo avião
Ansiedades aflitivas
Por respostas imediatas
Obsessivas
Obsessões
por notícias
Por sinais
Por torturantes áreas de cobertura
Premissas falsas
Verdades ora irrelevantes
que os bits nos aproximam
E nos trazem paz
Por hora, querida.
Não mais.
quinta-feira, 2 de maio de 2019
Do Tempo, da fraternidade e do amor - por Clayton Craveiro
Eu só tenho três
minutos???
“Vá lá... Quatro”
É que aqui, tudo é
eternidade
Enquanto o tempo / Faz maldade com a gente
Só anda pra frente /
Não adia a verdade
Não sabe voltar
Eu podia escrever uma
história para provar que sou sublime,
me fazer de importante
Mas Fernando, o Pessoa / Já eternizou esse instante
Quanto a mim, o tempo
às vezes oprime
Talvez a você também
Apertando meus olhos;
bagunçando os relógios
Mil cucos não bastam;
insônias não curam
O tempo nos toma tempo!
É preciso vencê-lo
todos os segundos
Embora nunca cheguemos
em primeiro
Nas rotações desse
mundo
Há o lado bom, há o
lado ruim
E existe a falta de
lados / Mesmo cortados por Greenwich
E o tempo, indiferente,
continua...
Tenho pra mim que o
tempo não escolhe / e nem acolhe quem está fora do tempo
Ele devia ser um
detalhe
Uma leve ironia
Como a magia de um gol
aos quarenta e seis
do segundo tempo da
vida
Mas faço dele poesia
Aproximo meus afetos
Dou tinta aos meus
papéis virtuais
Para a vovó, vovô e
seus netos
Para que sejam tratados
como iguais
A garota do traço
O garoto do baixo
Àquela ali que também
amo e conheço bem
Para você, você, e
você,...
Venço o tempo
provisório
Sem palavrório a esmo
Direto, soco inglês
A flecha e a caça
Não sei se em bom
português...
Mas é isso o que posso
Pra me fazer
compreendido
Sem alarde
Para o frescor da tarde
Para a libido da noite
Para as páginas das
manhãs
Mas sobretudo,
e isso eu não conto
(Só pra vocês, vai... )
Para espalhar o tal do
amor!
Esse cara que vence o
tempo
Que em tempos difíceis
Está sempre presente
Apesar das águas, do
fogo,
da lama, oitenta tiros
insanos,
prédios desabados e
déspotas mal
disfarçados,
que nos soterram a cada
dia
Apesar das lágrimas
teimosas
Daqueles instantes sem
riso
pois é...
Pois assim é... tal e
qual navegar:
- Também é preciso...
Mas deixe estar / que o coração de quem ama
Está sempre pronto.
Um abraço...
Às vezes só um abraço /
ou um sorriso...
* * *
Devia ter uma lei pra
quem não fala do amor, / da amizade, da fraternidade,...
Pagasse taxa, tarifa
Comprasse rifa velha,
sei lá...
Que fale!
Que se expanda por aí
Sem sacrifício
e sem egolatrias tolas
Que seja prazer, não
ofício
Nada de regras
Tipo um compromisso,
assim sem compromisso:
- A gente se vê,
hein...?! - e como é bom quando a gente se vê ...
- Eu passo lá ! - e
como é bom esse encontro
- Te ligo ! - e no meu
ouvido tua voz sempre tão presente...
Que os abraços
fraternos
Não acabem em prosas
dispersas
Erradas palavras de
ordem
Chuvas de
“granito"
Calçadas de sangue e
“granizo”
Gritos,
clichês popularescos /
e ódio entre irmãos.
Sim, é o que peço:
Que os pensamentos
diversos
Se igualem em respeito
pelo outro
Que nada fique solto na
frase / na base, na crase.
Seja justo e contratado
!
Que o nossos amores
Sejam mais que verbos
intransitivos
Que sejam definitivos
Que sejam transitado em
julgado
Que não caibam recursos
E que no curso da
história
Sejam escritos nas
paredes
Feitos por um bom
pichador:
"Mais amor, por
favor! "
Jamais uma súplica,
Sempre afirmação.
E que todo esse
sentimento
Vire um lema de vida
um leme, as velas, sua
direção e saída,...
Seja mais que um poema
Não repouso dos
fingidores
Nós os viajantes do
tempo...
Que não nos importem
etnias,
gêneros, cores,
distâncias,
falsos rumores,
Que se partam em pó
ditadores
Que prevaleça a graça
Que se levantem as
taças:
É agora o nosso tempo !
É agora o nosso tempo !
Quatro minutos
E uma eternidade de
amores.
terça-feira, 30 de abril de 2019
Lilico - por Guaracy Muniz Carioca
Lilico
Rubro intenso que mostras sobre a mesa
Ouro vermelho, sangue do lavrador
Traz tua acidez até para sobremesas
Da semeadura à colheita, mui labor
Na terra covada o sonho renascer
Desbrota para o fruto vicejar
Rezando baixinho para não chover
Orando em silêncio para não esquentar
Solitários ranchos, curtos horizontes
Bambus em feixes acinzentados
Vales úmidos, verdes montes
Sob a terra em relevo ondulado
Frutos caneados, hora de colher
Será que o preço bom estará?
Lilico, meu amigo, agora vamos ver
Se um retorno justo acontecerá
Ouro vermelho, sangue do lavrador
Traz tua acidez até para sobremesas
Da semeadura à colheita, mui labor
Na terra covada o sonho renascer
Desbrota para o fruto vicejar
Rezando baixinho para não chover
Orando em silêncio para não esquentar
Solitários ranchos, curtos horizontes
Bambus em feixes acinzentados
Vales úmidos, verdes montes
Sob a terra em relevo ondulado
Frutos caneados, hora de colher
Será que o preço bom estará?
Lilico, meu amigo, agora vamos ver
Se um retorno justo acontecerá
quinta-feira, 28 de março de 2019
Aos diferentes - por Guaracy Carioca
Irão chamar-te de louco. És apenas diferente. Os bares lotados, os estádios e as repartições públicas te intoxicarão. Oferecer-te-ão drogas. Não as aceite.
Deixar-te-ão mais parecido com os iguais que se pareiam aos milhares. E és diferente.
Vais enlouquecer-te vez por outra porque a vida quererá enquadrar-te, rotular-te, estereotipar-te. Ela conseguirá apenas em parte, porque mesmo nas diferenças há semelhanças.
Olha-te no espelho. Não há ninguém igual a ti. Nem mais belo nem mais horrendo. Levanta voo! Agora! Tuas retinas precisam filtrar paisagens. Inspira teatro, expira poesia. Dança uma dança só tua. Cria raízes e depois as corta. Parta para um lugar desconhecido. Depois volta. Muda de ideia. Diz que não sabe. Pergunta. Ouve as infinitas respostas. Em algum momento da vida irás pintar teus cabelos, ou crivar tua pele de tatuagens e tuas extremidades de metais,cordões e penas. Vais, aos poucos, percebendo-te diferente. Os jovens perceber-te-ão jovial apesar da idade. Não te envergonhes disto. Um instrumento musical poderá escolher-te como amigo. Aceita-o sofregamente. A arte presa em ti precisa ser parida de alguma forma, por algum meio ou ferramenta; O pincel, as mãos, os pés, a voz, o sexo, o corpo todo.
Certos dias encontrar-te-ás sozinho. Aproveita a liberdade e o anonimato. Fica nu. Medita. Deixa a inspiração dormir um sono tranquilo, para depois, de madrugada acordar-te num susto, suando e chorando sem saber por quê.
Viestes ao mundo para criar novos caminhos. Não para percorrer os já existentes. Por isso acostuma-te com a solidão. Não é tua inimiga. Talvez em idade já avançada olharás para trás e verás a multidão que seguiu teus passos e se emocionou com tua trajetória ímpar. Não te envaideças. A multidão é infiel e o sucesso efêmero. Tudo é efêmero. Segue criando, inovando, perscrutando. Podes ter muitas companhias mas nunca encontrarás teu par. Por que? Por que és diferente. És artista. Casa-te com as tuas artes! Aconchega-te a elas.
Deixar-te-ão mais parecido com os iguais que se pareiam aos milhares. E és diferente.
Vais enlouquecer-te vez por outra porque a vida quererá enquadrar-te, rotular-te, estereotipar-te. Ela conseguirá apenas em parte, porque mesmo nas diferenças há semelhanças.
Olha-te no espelho. Não há ninguém igual a ti. Nem mais belo nem mais horrendo. Levanta voo! Agora! Tuas retinas precisam filtrar paisagens. Inspira teatro, expira poesia. Dança uma dança só tua. Cria raízes e depois as corta. Parta para um lugar desconhecido. Depois volta. Muda de ideia. Diz que não sabe. Pergunta. Ouve as infinitas respostas. Em algum momento da vida irás pintar teus cabelos, ou crivar tua pele de tatuagens e tuas extremidades de metais,cordões e penas. Vais, aos poucos, percebendo-te diferente. Os jovens perceber-te-ão jovial apesar da idade. Não te envergonhes disto. Um instrumento musical poderá escolher-te como amigo. Aceita-o sofregamente. A arte presa em ti precisa ser parida de alguma forma, por algum meio ou ferramenta; O pincel, as mãos, os pés, a voz, o sexo, o corpo todo.
Certos dias encontrar-te-ás sozinho. Aproveita a liberdade e o anonimato. Fica nu. Medita. Deixa a inspiração dormir um sono tranquilo, para depois, de madrugada acordar-te num susto, suando e chorando sem saber por quê.
Viestes ao mundo para criar novos caminhos. Não para percorrer os já existentes. Por isso acostuma-te com a solidão. Não é tua inimiga. Talvez em idade já avançada olharás para trás e verás a multidão que seguiu teus passos e se emocionou com tua trajetória ímpar. Não te envaideças. A multidão é infiel e o sucesso efêmero. Tudo é efêmero. Segue criando, inovando, perscrutando. Podes ter muitas companhias mas nunca encontrarás teu par. Por que? Por que és diferente. És artista. Casa-te com as tuas artes! Aconchega-te a elas.
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