quinta-feira, 8 de agosto de 2019

CRIVOS DE ERATÓSTENES - por Clayton Craveiro

Crivos de Eratóstenes
De Alexandria à Roma
Conflitos bárbaros a números primos
Únicos ? Quem saberá ?
Indivisíveis ? Quem deixará?
Tantas distancias
Humanidades 
Unidades
Eu e ela
Um egípcio? Como uma grega?
Sempre uma viking


Língua bávara
sobre a pele pagã

Ou, que seja,
Greco-romana
Galega-burguesa
Eslavo-Búlgara ou 
anglo-saxã
Por que não ?

Ela atreve-se
Eu misturo
Pulo o muro
Sou bravo
Eu, eu mesmo, Craveiro!

Quando caio
Logo a encontro

Ela o cravo
Estamos prontos

Um conto de Fonseca
Imoral e pueril
Insano
Vilã e mocinha

Crava o espinho, a garbosa
Nós, personas distintas
Heterogêneas e tão iguais...
Gêmeos de duas vitelas
Azul e rosa
Púrpura 
Gostosa

O rústico e a lady
A princesa e o bruto
Limão e pilão
Nem tanto
Entreveiros comuns
Sem pranto 
Sem lutos pelo fim
Luta pela eternidade
Dois em um
Um dígrafo
Epígrafes
Sustenidos na canção
Um fonema indecifrável
Th...

Dois em um
Rum e Coca-Cola
Canção de Cartola
Pororoca de emoções
Um AP na Tijuca 
ou uma casa na Moóca
Rolando na minha rima
Meu imã
Meu pão 
Minha manteiga President
Uma em um
Um em uma
Vivência múltipla dos órgãos
Meu chão 
Meu tapete de nuvens
Volúveis
Muitos sins
Raramente um não
Claramente um não. 

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Daí Babá - por Vitor Ferreira




Daí Babá


Gravação: Bebossa Kids 
Música Luhli e Lucina
Letra: Vitor Ferreira e Suzy Wängler


Babá dê sua mão pra mim,
Vem ver o pedacinho do chão,
Gotas transmutadas em grãos, areia.

Me mostra a toca do tatu,
O canto do uirapuru,
Nas águas doces de Oxum,
Peixes, pássaros, iraras.

Pios, urros, mios, silvos, rompem a mata
Para avisar que o segredo da floresta
Tá com o boitatá

Pra ver do alto o que que há,
Uma carona,
vou pegar,
No panapaná.

Vejo a floresta brilhando,
Espalhando seus cheiros no ar (cheiros no ar),
Imburana, aroeira, cedro e jatobá.

Descubro o segredo é semente,
Presente que a Mãe-Terra nos dá (Mãe terra nos dá)
E o grande tesouro
É a vida sempre a brotar.




quinta-feira, 27 de junho de 2019

Levitação - Por Tildé

Levitação

Quem se prende a matéria
não consegue voar.
O sonho é leve
e a emoção flutuante.
É preciso desprendimento
para o infinito alcançar.

O Beijo - por Tildé

O Beijo

O beijo é bússola guia
a despertar desejos.
provoca sensações, arrepia!
É gostoso como o vejo!

Deixa o corpo mais leve,
bem quente de emoções!
É uma liga que serve
para unir dois corações.

A Lua e Eu - por Tildé


A Lua e Eu

Manter os sonhos sempre crescentes,
deixando a vida a cada dia mais nova,
com a tristeza saindo bem minguante!
Viver a alegria do amor que se renova.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

POESIA DE SMARTPHONE - por Clayton Craveiro

Antes eu trocava a fita
sujava os dedos
no tecido negro e rubro
Furava a seda da Olivetti
Tek-tek-tek

Usava limpa-tipos
Folhas A4, Correto Carbex
Missivas em posta restante
Postais de um lugar distante


Tempos passados querida...
Hoje é tudo num instante

Hoje meu mindinho apoia meu verso
enquanto o polegar vacila
entre o amor 
e o horror ao corretor

Faz plim quando ela chama

Infla meu peito
Satisfaz meu ego macho-alfa
"Manda nudes meu bem..."

Aquele jeito, aquela chama
Em tempos modernos
Até o vício solitário é diferente
Tem um giga de velocidade

Não é fake, é maldade 

Portanto a paixão de improviso
agora circula em ondas de um 4G
Não mais nas mucosas do ponto G

Sabe lá o que é isso?

No "hifi" eu dançava colado
Sussurrava segredos
Embaraços ao pé do ouvido

Agora ?? Duvido !!!

Muda a letra 
Sai "h" entra o "w"

E no "wifi" de hoje
Só a senha é o desejo
Pode crer! Mais que um beijo!

Pois que venham !!

Noites insones em zaps da vida
Paracetamóis virtuais
Boleros em pacotes de dados
Substituição da solidão
Por mais solidão

A vida no modo avião 
Ansiedades aflitivas
Por respostas imediatas
Obsessivas
Obsessões
por notícias
Por sinais

Por torturantes áreas de cobertura
Premissas falsas
Verdades ora irrelevantes 
que os bits nos aproximam
E nos trazem paz

Por hora, querida.
Não mais.




quinta-feira, 2 de maio de 2019

Do Tempo, da fraternidade e do amor - por Clayton Craveiro



Eu só tenho três minutos???
“Vá lá... Quatro”
É que aqui, tudo é eternidade
Enquanto o tempo / Faz maldade com a gente
Só anda pra frente / Não adia a verdade
Não sabe voltar

Eu podia escrever uma história para provar que sou sublime,
me fazer de importante
Mas Fernando, o Pessoa  / Já eternizou esse instante

Quanto a mim, o tempo às vezes oprime
Talvez a você também
Apertando meus olhos; bagunçando os relógios
Mil cucos não bastam; insônias não curam



O tempo nos toma tempo!

É preciso vencê-lo todos os segundos
Embora nunca cheguemos em primeiro

Nas rotações desse mundo
Há o lado bom, há o lado ruim
E existe a falta de lados / Mesmo cortados por Greenwich

E o tempo, indiferente, continua...

Tenho pra mim que o tempo não escolhe / e nem acolhe quem está fora do tempo

Ele devia ser um detalhe
Uma leve ironia
Como a magia de um gol aos quarenta e seis
do segundo tempo da vida

Mas faço dele poesia
Aproximo meus afetos
Dou tinta aos meus papéis virtuais
Para a vovó, vovô e seus netos
Para que sejam tratados como iguais
A garota do traço
O garoto do baixo
Àquela ali que também amo e conheço bem
Para você, você, e você,...

Venço o tempo provisório
Sem palavrório a esmo
Direto, soco inglês
A flecha e a caça
Não sei se em bom português...
Mas é isso o que posso
Pra me fazer compreendido

Sem alarde
Para o frescor da tarde
Para a libido da noite
Para as páginas das manhãs
Mas sobretudo,
e isso eu não conto
(Só pra vocês, vai... )
Para espalhar o tal do amor!

Esse cara que vence o tempo
Que em tempos difíceis
Está sempre presente
Apesar das águas, do fogo,
da lama, oitenta tiros insanos,
prédios desabados e
déspotas mal disfarçados,
que nos soterram a cada dia
Apesar das lágrimas teimosas
Daqueles instantes sem riso
pois é...
Pois assim é... tal e qual navegar:
- Também é preciso...

Mas deixe estar /  que o coração de quem ama
Está sempre pronto.
Um abraço...
Às vezes só um abraço / ou um sorriso...

* * *

Devia ter uma lei pra quem não fala do amor, / da amizade, da fraternidade,...
Pagasse taxa, tarifa
Comprasse rifa velha, sei lá...
Que fale!
Que se expanda por aí

Sem sacrifício
e sem egolatrias tolas
Que seja prazer, não ofício
Nada de regras
Tipo um compromisso, assim sem compromisso:
- A gente se vê, hein...?! - e como é bom quando a gente se vê ...
- Eu passo lá ! - e como é bom esse encontro
- Te ligo ! - e no meu ouvido tua voz sempre tão presente...
Que os abraços fraternos
Não acabem em prosas dispersas
Erradas palavras de ordem
Chuvas de “granito"
Calçadas de sangue e “granizo”
Gritos,
clichês popularescos / e ódio entre irmãos.

Sim, é o que peço:
Que os pensamentos diversos
Se igualem em respeito pelo outro
Que nada fique solto na frase / na base, na crase.
Seja justo e contratado !

Que o nossos amores
Sejam mais que verbos intransitivos
Que sejam definitivos
Que sejam transitado em julgado
Que não caibam recursos

E que no curso da história
Sejam escritos nas paredes
Feitos por um bom pichador:
"Mais amor, por favor! "
Jamais uma súplica,
Sempre afirmação.

E que todo esse sentimento
Vire um lema de vida
um leme, as velas, sua direção e saída,...

Seja mais que um poema
Não repouso dos fingidores
Nós os viajantes do tempo...
Que não nos importem etnias,
gêneros, cores,
distâncias,
falsos rumores,
Que se partam em pó ditadores
Que prevaleça a graça
Que se levantem as taças:
É agora o nosso tempo !
É agora o nosso tempo !
Quatro minutos
E uma eternidade de amores.