quinta-feira, 29 de abril de 2021

Livros "Antologia" (2014) e "Antologia II" (2021)

 É com imenso prazer que disponibilizamos os livros de nossos acadêmicos, artífices da palavra.

Ótima leitura a todos !


Link para "Antologia" (2014), clique na imagem:


Link para "Antologia II" (2021), clique na imagem:




 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Mario Quintana

 

Mario Quintana – Vitor Ferreira

 

Fausto Cunha coligiu uma seleção dos melhores poemas de Mário Quintana. Mario Quintana se destaca pelo seu lirismo, com uma musicalidade própria e com versos que transmitem o cotidiano; seja numa canção de domingo, num epitáfio ou no prenúncio de sua morte. Os tons, os matizes de sua poesia podem ser conferidos nesse Livro: “Mario Quintana”. Que o leitor tenha uma leitura leve, capaz de abstrair da sua rotina para uma visão do cotidiano, como um passageiro de uma nau “quintaneza”.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

O berço e a vida




Ah! Se tu soubesses o valor da fantasia!
A liberdade perdoada da inocência
Palavra feia não conhecia
Moleira mole sem consciência

Se a tivesse não cresceria,
pequeno e ingênuo se manteria.
Longe de tanta demagogia,
ganância, ambição, falsa ideologia.

Bate a porta todos os dias,
se não mata fere, deixa hemorragias.
Marcas profundas na democracia,
conchavos, Congresso, uma porcaria!

Ah! Se tu soubesse o valor da fantasia!
Ainda hoje seria,
uma criança carregada de alegria,
sem perceber o que a maturidade lhe tiraria.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

"O QUE IMPORTA É A PRODUÇÃO"

Em minhas incursões pela poesia, faz muito tempo, saindo de uma grande confusão que a vida em alguma hora nos coloca, decidi experimentar, sem compromisso e a toque de caixa essa poesia doida, urgente, e sem direção.

Hoje entendo que, naquele momento, era o que se fazia necessário e fazia total sentido. 

Agora, revendo o que fiz, escolhi o trecho inicial e adaptei/modifiquei uma palavra aqui e outra ali para dar-lhe melhor velocidade e fazer dizer exatamente o que quis dizer.

O poema completo, sem essas pequenas alterações está no meu livro "Erogenia" .


O que importa é a produção ! (fragmento 2020)


O que importa é a produção / preencher todos os espaços vazios / a qualquer custo / não importando / se estamos fartos por dentro / a visão / a mensagem / tem de ser transmitida / seja qualquer a forma / engolir o globo ocular / calcular perfeitamente o que dizer / enegrecer o branco da folha de papel / fazer verso / cordel / dançar sobre a máquina / lançar sobre o parágrafo um olhar curioso / “parágrafo : você está errado” / sempre dizer o que deve ser dito / parodiar situações grotescas / situar-se na falta de lugar / lotar o Maracanã / enchê-lo de palavras / desafio ímpar / catalogar / procurar a si mesmo no dicionário / atravessar essas polegadas / como se atravessa a Belém-Brasília enquanto escreve / formar uma... / não! / diversas famílias / saber que os versos estão certos / semi-metrificados / calcados em amparo legal / Digerir palavras ?/ Jantar a crônica diária? Talvez... / tomar banho / Sim, mas não, não parar / Fumar um king size (melhor  não) / achar interessante e não estressante /aquilo que nunca viu / engarrafar o trânsito / no meio do caminho / Não pegar a pedra / manter o ritmo / não perder o fôlego / correr de qualquer jeito / sentir dor no peito /mas continuar a correr / fazer cara feia / torcer o nariz / mas ler, gostar,  pedir bis / repetir a rotina sem ser redundante / mas ainda assim achar interessante / sinta-se num cofre de banco / sinta-se em Madureira / sinta-se num armário embutido /sinta-se na Rio Branco / Mas sair do lugar comprimido / e ser livre sem medo do risco / Pois risco de poeta é poesia / e com ela é que a gente é feliz.    

terça-feira, 3 de março de 2020

SEGUNDO ESTUDO ANACREÔNTICO – AFÃ DÓRICO - por Vitor Ferreira


Firme a casa do Pai,

Ame as armas do Caos,

Force a porta que cai,

Fique seguro nas mãos.



Pátria cerca após,

Beijo doce do breu;

Creta, pira em Cós;

Braços, dar-te aos teus.



Monte o dorso corcel.

Lance o peito atroz.

Verta a alma ao céu.

Morte ao amigo feroz.

    

Campos de Zeus está,

Calma coro temor,

Rasgue o tafetá,

Deite-se, solo de amor.


sábado, 29 de fevereiro de 2020

SAUDADES DE UM VELHO AMIGO - por Guaracy Muniz Carioca

Será que te encontro? E te reconheço?
Será que me reconheces?
Será que daí escutas
as minhas preces?

Aquele vinho que não tomamos juntos.
Tantas histórias, tantos assuntos
Troca de experiências em meio a brincadeira.
Um ipê florido. Falar besteira.

Incerta certeza
que gera a discussão.
Meu cafezal em flor
Acordes de violão.

Tuas conquistas, meu orgulho
Teu abraço, meu abrigo.
Tapetes de flor de jambo.
Saudades de um velho amigo.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

NA CORDA BAMBA - por Guaracy Muniz Carioca

Segue a alma encarnada equilibrando-se sobre a frágil corda da vida. Sente o peso do corpo por sobre os pés. Caminha lenta, vacilante, pois há névoas no vale e não se enxergam os horizontes.
Pode olhar para trás, mas não retornar. Doem as solas dos pés em contato com a fina e tesa corda. Dói o peso dos anos sobre os joelhos. Dói o peso das mortes dos amigos queridos por sobre os planos.

Vem o vento das mudanças com lufadas inesperadas, nos empurrando para fora da pequena e frágil zona de pequenos confortos que criamos.

Seguir adiante é necessário. É obrigatório. É imprescindível.

A vara é o contraponto. É o pesar no lado oposto ao que estávamos nos inclinando. É a opinião oposta, incômoda, indigesta. É o desconhecido batendo à sua porta. É o convite para sentar-se à mesa com teus inimigos, teus temores e traumas.

E a fé é o que te faz dar mais um passo quando você não quer nada além de saltar e cair e se libertar da gravidade a lhe ferir os pés, da desesperança a lhe ferir a mente, do vazio a lhe ferir o coração. A fé te faz dar mais um passo quando a névoa é espessa e já não se vê nem corda, nem vara, nem nada de interessante mais adiante.
É preciso apaixonar-se pela incerteza para receber o agridoce beijo do surpreendente. E o tropeço te empurra ao passo indesejado até que se perceba que tínhamos asas que nos foram cortadas desde o momento em que nascemos e que só a perseverança as trará de volta com toda sua plenitude original.
E a corda...A corda era apenas a borda do ninho.


sábado, 11 de janeiro de 2020

PARNASIANO - por Clayton Craveiro


Das musas do Monte Parnaso
De cada coisa um extrato, 
Meu pólo assimétrico, por assim ser eu trato. 
O grato pelo ser grato
não indica o consumado ato
Mas há de saber que em seu prato
há labor, há saber, há pecado
o androceu no geniceu
não há melhor transgressão
arsenikó kai thilykó
Etílico, eu como 
se eu isso, eu aquilo
Eu idílico,
Eu Apolo,
no Parnaso fico.




AMORA - por Clayton Craveiro

Deitado na cama, se a janela estiver aberta, consigo ver um pé de amoras. Não aquelas amoras que aparecem na foto de geleia de supermercado ou sache de suíte de hotel. Amoras silvestres pretinhas e compridinhas. As raízes estão do lado do muro do vizinho que não liga para o pé e nem se dá conta do quanto gosto de amoras. Melhor assim. 😋

No fim do outono a amoreira perde toda sua folhagem. Fica pelada como uma árvore fantasma. A lua quando nasce no horizonte no final da tarde costuma aparecer atrás dos galhos secos.

Em agosto começa a brotar para depois fazer a festa dos canários, pardais, tucanos, claytons, e outros passarinhos que aparecem por aqui.

Nesse calorão de janeiro, suas folhas já começam a amarelar. Mas ainda faz aquela boa sombrinha.

Passa o tempo e ela, em seu ciclo sagrado, nem se dá conta da felicidade plácida que dá aos outros com seus frutos, sombra ou simplesmente por estar ali.

A vida devia ser assim: uma amoreira. Ando muito bucólico...

 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

A ilustríssima visita - por Guaracy Muniz Carioca

M        Ele desceu dos céus, era dia e o céu estava todo azul. Ele desceu dos céus e emanava um certo brilho. Desceu lentamente em linha reta, como quem desce de um arranha-céu em um elevador invisível. E pousou sobre o solo em meio ao rush matinal. Não fez nenhum som. Nem levantou poeira. Pessoas apressadas indo para os seus trabalhos ou procurando outros trabalhos. Muitos não repararam que ele desceu do céu. Os que repararam acharam que era alguma apresentação de mágica, daqueles mágicos internacionais que fazem mágicas pela rua e surpreendem os transeuntes. Sua cor azul celeste fazia alguns terem certeza de que era um daqueles artistas que fazia-se de estátua. Mas ele estava nu. Completamente nu. E estava de olhos fechados. Parecia humano apesar de não possuir pelos em nenhuma parte do corpo. Devia ter uns dois metros de altura e seu porte musculoso era de quem fazia musculação há vários anos. Claro que alguns radares o detectaram enquanto descia. Poderia ser um asteróide ou um drone. Um astrônomo falou com certeza na voz:"É mais um daqueles balões meteorológicos que brilham e causam medo em pequenas cidades do interior...".

Mas não era...

        Algumas senhoras, defensoras da moral e dos bons costumes começaram a se irritar com aquele artista de rua despudorado, mostrando suas partes íntimas e bem dotadas e seu corpo musculoso e perfeito...ahh. E se recompunham e chamavam a atenção do guarda que estava ali perto. "Isso é atentado ao pudor!" "Há crianças passando por aqui! Isso é um absurdo!"
O guarda concordou. Foi se chegando flanqueando a situação pensando numa melhor abordagem. As senhoras observando tudo de longe.
-Senhor! - falou em tom severo e alto - Não é permitido ficar nu em público. E todo artista de rua precisa ter o alvará da prefeitura. Ponha uma roupa agora e me mostre seus documentos.
E ele não se moveu. Provavelmente os documentos que ele tinha já estavam ali à mostra. O guarda se incomodou com o total desprezo do meliante. Avaliou a possibilidade de imobilizá-lo. Pediu reforço no rádio.
-Senhor! - Berrou amedrontador - Não me interessa se você é maluco ou é surdo, eu quero que você deite AGORA no chão com o rosto para baixo e as mãos para trás! AGORA! - E sacou o 38 apontando para o marginal.
Um pequeno pânico começou a se formar. As senhoras que assistiam a tudo de longe resolveram se proteger dentro da pastelaria do chinês em frente. Vai que o maluco consegue pegar a arma do policial?

        E o homem azul abriu os olhos. E seus olhos irradiavam luz. Luz estelar. Luz de explosões atômicas que acontecem no centro de estrelas centenas de vezes maiores que o sol. Brilho radioativo de trítios e deutérios. E o homem azul virou sua cabeça mecanicamente para o guarda. Não precisava tê-la virado. Sabia da presença do guarda ali. Dele e dos outros sete bilhões oitocentos e vinte e três milhões quinhentos e quarenta e oito mil setecentos e trinta e nove seres humanos ainda vivos naquele exato milésimo de segundo. E sabia também o que cada indivíduo das outras oito milhões e setecentas mil espécies estavam fazendo naquele mesmo momento. Então o guarda soube que estava diante de algo muito maior. E baixou a  arma. E de seus olhos saíram lágrimas. E ele molhou seu uniforme.
        E o homem azul sabia das crianças ainda vivas sob os escombros na Síria. Sabia das mulheres que seriam mortas por apedrejamento por terem traído seus maridos. E sabia das crianças recém-nascidas chinesas que seriam estranguladas pelas próprias mães pelo simples fato de terem nascido meninas e não meninos. E sabia dos falsos profetas que enriqueciam por oferecer a seus fiéis falsas vantagens de se barganhar com Deus. E sabia da dor das árvores cortadas no meio da floresta, e das baleias desnorteadas pelos metais pesados e pelas explosões de mapeamento do fundo do mar a procura de petróleo. E sentia a morte lenta e dolorosa do filhote de golfinho embolado numa rede de arrasto abandonada no fundo do mar. E sentia todas as dores dos partos e dos suicídios e assassinatos que estavam acontecendo naquele momento.
E passeou pelos pensamentos humanos e notou que muitos desejavam o fim do mundo. Um mundo tão belo. Dos mais belos que ele havia criado, ao menos nesta galáxia. E com tantos mistérios ainda não desvendados e tantos remédios para tantas doenças ainda não identificadas pela ciência.
E Ele viu seus rios transformados em valas negras e fétidas. E suas inocentes criaturas sendo atropeladas por veículos tão pesados e barulhentos, e percebeu aqueles borrões repetidos feitos pelas rodas nas estradas...
Poderia destruir tudo e recomeçar do zero, mas estes que destruíam tudo eram uma minoria. Nada que um vírus não resolvesse em alguns anos.
Sabia que se ficasse ali tentariam prendê-lo, matá-lo, dissecá-lo, injetar-lhe substâncias, expô-lo a gases venenosos e radiação. Poderia ser a causa de uma terceira guerra mundial pelo simples fato de estar ali.
        E naquele dia alguns bebês desapareceram, algumas crianças desapareceram e alguns homens e mulheres puros de coração também desapareceram. Alguns pareciam que tinham morrido. Não. Haviam sido arrebatados. Uma flor rara foi descoberta, e um animal desconhecido foi salvo de um incêndio.
Contemplou mais uma vez esta sua criação, tão recente e tão cheia de problemas. Não iria eliminar todo o mal do mundo pois o homem é o exercício de caminhar pelo vale das tentações sem se contaminar. Pelo menos é o que eles dizem. E sabia que havia esperança no coração dos jovens. E sabia que Nostradamus estava errado. E quanto mais horror houvesse, mais a necessidade da caridade brotaria do coração dos homens de bem...

        O reforço policial havia chegado, e antes que tentassem cercá-lo ou neutralizá-lo, correu no meio da multidão como um louco, entrou por um beco e evaporou-se...

         Foi visitar os amigos antigos, tomar chang com um monge no Tibete, Jogar tablut com um filósofo na Lapônia, tomar uísque e ver o mar, da Calçada do Gigante em Bushmills com um físico aposentado na Irlanda do Norte, e oferecer alguns biscoitos de linhaça para uma menina sueca chamada Greta.

A Busca - por Guaracy Muniz Carioca

Eu só busco fugir das rimas óbvias
Eu só busco fugir das rimas
Eu só busco fugir
Eu só busco
Eu só
Eu

Cacos de vidro no asfalto - por Guaracy Muniz Carioca

Bêbado; meu copo
Bêbada; minha vida
Um horizonte vertical
E uma têmpora doída
Bêbados; meus cacos
Bêbada; minha vida

Tem certas coisas que os filhos não aceitam bem... - por Guaracy Muniz Carioca


AVISO: CONTEÚDO IMPRÓPRIO PARA MENORES DE 12 ANOS - APRESENTA LINGUAGEM CHULA

E se te desse a louca (e foi dito com muita propriedade por Horácio “desipere in loco”- Enlouquece-te de vez em quando), e você se apaixonasse por um jovem trinta anos mais novo que você, com a libido à flor da pele e você fosse pega numa terça-feira às três da tarde gemendo na cama como uma loba no cio, sendo xingada de todos os nomes que uma mulher casta e pudica não deveria gostar de ser chamada...
E se te desse a louca e você vendesse sua casa com tudo o que tem dentro para colecionar apenas carimbos de “visto” de outros países em seu passaporte? Será que continuaria sendo a filha, a mãe e a avó querida? Ou tentariam te interditar para controlar tuas finanças alegando insanidade?  
Será que amparar os outros não se tornou uma obrigação velada? Uma troca macabra por aceitação, carinho e atenção?  Quanto do bem que fazem para você é exclusivamente para você? Quantas vezes fizeram para você a sua comida favorita? Quantas vezes te deram um sapato daquela loja que você gosta? Será que sabem ao menos a sua cor preferida? E se descontássemos tudo o que é feito para o bem de todos, como lavar o carro, fazer comida e arrumar a casa, o que sobraria de bem para você? E se você não tivesse nada a oferecer? Nenhuma vantagem financeira ou de outro conforto qualquer? Será que todos te amariam com a mesma intensidade que dizem te amar? Quantas vezes você ouve “Eu te amo” sem precisar perguntar ou sem vir um pedido de algum favor ou presente logo depois?
O dito “politicamente correto” dificulta e afasta grandes amizades, porque grandes amigos se tratam por adjetivos chulos e baixos e tudo vira uma grande brincadeira de chocar os incautos ao redor.
Digo sem medo de errar: Cuidado com a opinião dos que te amam, mas dependem de você, mesmo que em parte, por questões financeiras, afetivas ou de conforto, porque são opiniões tendenciosas.  E porque talvez a tua verdadeira felicidade vá contra todos os estereótipos que eles fazem de ti. Talvez te queiram pacata, sentadinha de pernas cruzadas e falando baixinho até o fim da festa. Feliz por ganhar uma caneca de “A melhor mãe do mundo” no Dia das Mães, ou conversando sob sutil vigilância, pela internet com vários “amigos” que nunca irá conhecer pessoalmente.
E se, da noite para o dia, você resolvesse começar a beber e fumar como uma adolescente no primeiro ano de faculdade longe dos pais? E se esquecesse de tantos compromissos que na realidade nem são seus? E se pensasse em experimentar novas sensações, antes de amanhecer? Percebes uma oculta cerca eletrificada de arame-farpado ao redor da tua liberdade de expressão?
E quando você ficar velha demais para despertar o interesse de alguém do sexo oposto, ou do sexo que mais te atrair, e os filhos todos já estiverem com suas vidas encaminhadas, quem vai querer cuidar da idosa faladeira e cheia de dores e horários para tomar remédios? Quem vai andar devagarinho ao seu lado como quando você levava eles quando estavam ainda aprendendo a andar? Quem vai ter com você a paciência que você teve com eles?
O mais provável é que você continue por toda a vida comprando atenção, cordialidade e aquiescência entre os dentes, deles.  Comprando eles para não te deixarem abandonada, quando o que você realmente queria era ficar nua em pleno Culto de Natal, ou gastar uma gorda fatia do teu décimo terceiro salário para fazer sexo, ao menos mais uma vez, com um jovem e musculoso michê. Mais um sendo comprado para disfarçar a cara de nojo, pena e impaciência.
E aí numa madrugada solitária você irá encontrar esta carta, já amarelada, rasgada e colada com fita adesiva e vai descobrir mais uma vez que eu era teu amigo de verdade e que te amava sem exigir nada em troca além da natural troca de atenção entre amigos. E que sabia a tua cor favorita.
Tantos bens de consumo parcelados nos cartões de crédito, mas nada preencherá o vazio de não ter ninguém para te chamar de “meu tesão”, “minha putinha gostosa”. Ou te sussurrar ao ouvido entre lençóis: “Abre essas pernas meu amor que hoje eu quero te chupar a noite toda!”...
Percebes? Tem certas coisas que os filhos não aceitam bem...

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

CRIVOS DE ERATÓSTENES - por Clayton Craveiro

Crivos de Eratóstenes
De Alexandria à Roma
Conflitos bárbaros a números primos
Únicos ? Quem saberá ?
Indivisíveis ? Quem deixará?
Tantas distancias
Humanidades 
Unidades
Eu e ela
Um egípcio? Como uma grega?
Sempre uma viking


Língua bávara
sobre a pele pagã

Ou, que seja,
Greco-romana
Galega-burguesa
Eslavo-Búlgara ou 
anglo-saxã
Por que não ?

Ela atreve-se
Eu misturo
Pulo o muro
Sou bravo
Eu, eu mesmo, Craveiro!

Quando caio
Logo a encontro

Ela o cravo
Estamos prontos

Um conto de Fonseca
Imoral e pueril
Insano
Vilã e mocinha

Crava o espinho, a garbosa
Nós, personas distintas
Heterogêneas e tão iguais...
Gêmeos de duas vitelas
Azul e rosa
Púrpura 
Gostosa

O rústico e a lady
A princesa e o bruto
Limão e pilão
Nem tanto
Entreveiros comuns
Sem pranto 
Sem lutos pelo fim
Luta pela eternidade
Dois em um
Um dígrafo
Epígrafes
Sustenidos na canção
Um fonema indecifrável
Th...

Dois em um
Rum e Coca-Cola
Canção de Cartola
Pororoca de emoções
Um AP na Tijuca 
ou uma casa na Moóca
Rolando na minha rima
Meu imã
Meu pão 
Minha manteiga President
Uma em um
Um em uma
Vivência múltipla dos órgãos
Meu chão 
Meu tapete de nuvens
Volúveis
Muitos sins
Raramente um não
Claramente um não. 

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Daí Babá - por Vitor Ferreira




Daí Babá


Gravação: Bebossa Kids 
Música Luhli e Lucina
Letra: Vitor Ferreira e Suzy Wängler


Babá dê sua mão pra mim,
Vem ver o pedacinho do chão,
Gotas transmutadas em grãos, areia.

Me mostra a toca do tatu,
O canto do uirapuru,
Nas águas doces de Oxum,
Peixes, pássaros, iraras.

Pios, urros, mios, silvos, rompem a mata
Para avisar que o segredo da floresta
Tá com o boitatá

Pra ver do alto o que que há,
Uma carona,
vou pegar,
No panapaná.

Vejo a floresta brilhando,
Espalhando seus cheiros no ar (cheiros no ar),
Imburana, aroeira, cedro e jatobá.

Descubro o segredo é semente,
Presente que a Mãe-Terra nos dá (Mãe terra nos dá)
E o grande tesouro
É a vida sempre a brotar.




quinta-feira, 27 de junho de 2019

Levitação - Por Tildé

Levitação

Quem se prende a matéria
não consegue voar.
O sonho é leve
e a emoção flutuante.
É preciso desprendimento
para o infinito alcançar.

O Beijo - por Tildé

O Beijo

O beijo é bússola guia
a despertar desejos.
provoca sensações, arrepia!
É gostoso como o vejo!

Deixa o corpo mais leve,
bem quente de emoções!
É uma liga que serve
para unir dois corações.

A Lua e Eu - por Tildé


A Lua e Eu

Manter os sonhos sempre crescentes,
deixando a vida a cada dia mais nova,
com a tristeza saindo bem minguante!
Viver a alegria do amor que se renova.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

POESIA DE SMARTPHONE - por Clayton Craveiro

Antes eu trocava a fita
sujava os dedos
no tecido negro e rubro
Furava a seda da Olivetti
Tek-tek-tek

Usava limpa-tipos
Folhas A4, Correto Carbex
Missivas em posta restante
Postais de um lugar distante


Tempos passados querida...
Hoje é tudo num instante

Hoje meu mindinho apoia meu verso
enquanto o polegar vacila
entre o amor 
e o horror ao corretor

Faz plim quando ela chama

Infla meu peito
Satisfaz meu ego macho-alfa
"Manda nudes meu bem..."

Aquele jeito, aquela chama
Em tempos modernos
Até o vício solitário é diferente
Tem um giga de velocidade

Não é fake, é maldade 

Portanto a paixão de improviso
agora circula em ondas de um 4G
Não mais nas mucosas do ponto G

Sabe lá o que é isso?

No "hifi" eu dançava colado
Sussurrava segredos
Embaraços ao pé do ouvido

Agora ?? Duvido !!!

Muda a letra 
Sai "h" entra o "w"

E no "wifi" de hoje
Só a senha é o desejo
Pode crer! Mais que um beijo!

Pois que venham !!

Noites insones em zaps da vida
Paracetamóis virtuais
Boleros em pacotes de dados
Substituição da solidão
Por mais solidão

A vida no modo avião 
Ansiedades aflitivas
Por respostas imediatas
Obsessivas
Obsessões
por notícias
Por sinais

Por torturantes áreas de cobertura
Premissas falsas
Verdades ora irrelevantes 
que os bits nos aproximam
E nos trazem paz

Por hora, querida.
Não mais.